A PROMESSA DO PAI

06/09/2012 10:08

 

A promessa do batismo no Espírito Santo pertence ao crente por direito, e em virtude do mandamento do Senhor, não somente deve esperar dita promessa, mas deve buscá-la ardentemente. O Batismo no Espírito Santo era o patrimônio normal, por assim dizer, dos crentes da Igreja primitiva. Junto com o Espírito Santo, o crente recebe um revestimento de poder que o capacita a viver para o Senhor e servi-lo, e o repartimento de dons para serem exercitados no ministério. Lc 24.49; At 1.4-8; 1 Co 12.1-31.

Este batismo maravilhoso é distinto da Salvação e posterior a ela. At 10.44,46; 11.14,16; 15.7-9.

Notemos que não se trata  simplesmente de uma promessa, mas da promessa por excelência, a qual excede todas as demais depois cumprida a promessa relativa ao Messias. Nosso Salvador mesmo se referiu ela dizendo: “E , comendo com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas esperassem a promessa do Pai, a qual disse, ele, de mim ouvistes. Porque João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com Espírito Santo, não muito depois destes dias”. At 1.4-5. Trataremos de formular o que nos ensina a bíblia com respeito a “esta promessa do Pai”, de forma tão simples que ninguém deixe de entendê-la.

No antigo testamento o Espírito Santo é revelado como o doador da vida. Gn 1.2. Compare também Rm 8.2. Ainda  que os  profetas,  reis e sacerdotes do passado foram ungidos do Espírito Santo, a promessa de seu derramamento geral sobre toda a carne foi para a época que começou com a ascensão do Senhor, que se apresentou ante o Pai nos céus, depois de haver pago o preço total pela redenção do homem, Hb 9.11,12. Estas grandes promessas relativas ao derramamento futuro do Espírito Santo encontram-se em Is 32.15, que diz: “Até que se derrame sobre nós o Espírito lá do alto”, e o ver. 44.3 expressa o seguinte: ”Porque derramarei o meu Espírito sobre a posteridade, e a minha bênção sobre os teus descendentes”. Mais adiante, em Jl 2.28,29, temos a grande predição que teve seu cumprimento parcial no dia de Pentecostes,  - a chuva do cedo - e continua se cumprindo na atualidade em virtude da descida de caráter geral do Espírito Santo sobre o mundo - a chuva tardia. Leia-se Jl 2.23 e também Tg 5.7,8. Notemos que a promessa consiste em derramar o Espírito Santo sobre toda a carne.

João Batista predisse o sacrifício de Cristo denominando-o: “O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Jo 1.29

Profetizou também com respeito ao ministério do Senhor dizendo que batizaria com o Espírito Santo. “Eu vos batizo com água, para arrependimento, mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”. Mt 3.11. É a esta predição que o Senhor Jesus se refere no texto citado no princípio deste capítulo. Por meio destes textos, juntamente com At 11.15,16, sabemos que somente Jesus que pode batizar no Espírito Santo. Compare-se Jo 1.29-34; 7.37-39.

Jesus enviou a promessa do Pai. Jo 14.15-17. “Se me amas, guardareis os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós”. E novamente o versículo 26 nos diz: “Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito”.

O Senhor considerou de tanta importância a descida do Espírito Santo que disse: “Mas eu vos digo a verdade: “Convém-nos que eu vá, porque se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei”. Jo 16.7. Muitos crentes falam do Espírito Santo com leviandade. Isto é insulto ao Espírito, a Jesus - que sacrificou Sua vida para que tivéssemos o direito de gozar a presença permanente do Espírito Santo em nós - e ao Pai - que em nome do Senhor Jesus nos outorga este dom supremo. Sem a ajuda do Espírito Santo, não poderemos viver como devemos, nem fazer o que nos corresponde.

O Apóstolo Pedro não faz distinção entre a promessa do Espírito Santo e o dom do Espírito Santo. At 2.38,39. “Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos, e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor Nosso Deus chamar”. Em At 11.16,17 o dom do Espírito e o Batismo no Espírito Santo são idênticos.

Pedro nos diz que a promessa é para todos os crentes, e não somente para os apóstolos e para os cento e vinte. “Pois para vós outros”- os que estavam presente - “é a promessa, e para vossos filhos”,  - os que estavam ausentes - “e para todos que ainda estão longe”- aqui nós estamos incluídos. Os cap. 10 e 11 de Atos nos demonstram que o dom era tanto para os gentios como para os judeus.

O apóstolo Paulo refere-se duas vezes ao dom do Espírito Santo na qualidade de selo. Em Ef 1.13 lemos o seguinte: “Em que também vós, depois que ouviste a Palavra da Verdade, o Evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, foste selados com o Santo Espírito da promessa”. Por outra parte, em 2 Co 1.21,22 lemos: “Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo, e nos ungiu, é Deus, que também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nossos corações”. A unção e revestimento do Espírito Santo experimentado pelo crente se reflete em seu rosto, se observa em suas ações, se ouve em sua voz e se experimenta ao estar com ele. Esse selo está impresso em seu corpo, sua alma e espírito.

O dom do Espírito Santo constitui uma antecipação de nossa herança perfeita em Cristo. Lei os versículos citados na proposição anterior. O dom do Espírito Santo constituiu uma prova positiva de que somos aceitos no amado e de que somos coerdeiros com ele. Leia também Rm 8.16,17

Junto com o Batismo no Espírito Santo desce o poder para servir ao Senhor. O crente não recebe o Espírito Santo como um luxo espiritual, ou para satisfação e gozo pessoais, mais como revestimento de poder para ser uma testemunha efetiva das grandes verdades salvadoras do Evangelho. Isto foi estabelecido com clareza pelo Senhor Jesus, enquanto caminhava com dois de seus discípulos até Emaús. “E lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer, e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia, e que em Seu nome pregasse arrependimento para remissão de pecados, a todas as nações, começando de Jerusalém. Vós sois testemunhas destas coisas. Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder”. Lc 24.46-49, assim também em At 1.8 se nos diz o seguinte: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia, e Samaria, e até os confins da terra”.

Pedro e João receberam ordem do sinédrio judeu de não falar ou ensinar mais no nome do Senhor Jesus. Depois de serem ameaçados e logo libertados, se transladaram para junto dos seus, os quais elevaram em uníssono a sua voz e oraram pedindo ânimo para falar a Palavra de Deus com intrepidez. “Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo, e com intrepidez, anunciavam a Palavra de Deus... Com grande poder os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles haviam abundante graça”. At 4.18-33. Em várias outras passagens lemos com respeito ao fato de que os crentes receberam uma nova unção, ou foram cheios de novo com o Espírito para um serviço especial. O evangelho deve ser propagado pelo poder do Espírito Santo, o qual é o único que pode convencer ao homem de seu pecado. Jo 16.8, fazendo-lhe doer a consciência, como ocorreu em Pentecostes, At 2.37. Compare-se Zc 4.6

Frequentemente, junto com o batismo no Espírito Santo, recebemos dons especiais. O dia de Pentecostes, At 2.5-11, o dom de línguas foi exercitado transitoriamente (com respeito à diferença entre evidência e o dom de línguas, leia-se o capítulo oito desta obra). Em Éfeso os doze homens que Paulo encontrou ali não somente foram cheios do Espírito Santo , e falaram em línguas, mas profetizaram, At 19.1-7. Nove dons especiais ou ,manifestações do Espírito Santo se descrevem em 1 Co 12.1-31. No cap. 13 demonstra-se a superioridade do amor santo e divino - o fruto do Espírito. No cap. 14, Paulo nos subministra regulamentos com respeito ao exercício dos dons do Espírito Santo. Em Hb 2.3,4 o apóstolo demonstra de que maneira eram empregados estes dons para a extensão do Evangelho. “Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido confirmada pelos que a ouviram; dando Deus testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres, e por distribuições do Espírito Santo segundo a sua vontade”. Estas palavras concordam exatamente com a narração que temos em Mc 16.20, que diz: “E eles, tendo partido, pregaram em toda parte, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra por meio de sinais que se seguiam”. Todo o livro dos Atos constitui um comentário desta verdade.

Diferença entre dons e fruto do Espírito (fruto do Espírito Gl 5.22,23): O dom é dado - o fruto é criado, produzido; o dom vem após o batismo - o fruto deve começar na conversão; o dom vem do alto - o fruto vem do interior; o dom vem perfeito (as falhas na sua operação ocorrem por conta do portador) - o fruto requer tempo para amadurecer. Não cresce do dia para a noite, como muitos pensam; Dons falam de serviço - fruto fala de caráter. Muitos em vez de andarem à cata de dons, deviam antes desenvolver o fruto do Espírito, porque dons espirituais e serviço efetuado sem o fruto do Espírito, são uma anomalia (anormalidade); os dons terminarão um dia - o fruto continuará para sempre, 1 Co 13.8

Finalmente, o que é o fruto do Espírito? É a expressão da natureza e caráter de Cristo através do crente. Ë a reprodução da vida de Cristo no crente. Sendo Cristo o original e o crente a cópia.

Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio”. Quão maravilhoso é observar a abundância de frutos na vida do crente - cheio do Espírito Santo em quem o Espírito reproduz a vida e características do Senhor Jesus! Leia-se 2 Co 3.18. Em 1 Co 13 a enorme superioridade do amor santo e divino brilha por sobre as línguas, ciência e profecia e outros dons do Espírito. Estes dons podem converter-se em desnecessários, portanto cessar, “quando porém, vier o que é perfeito”, mas os frutos da fé, a esperança e o amor permanecerão para sempre, e o mais formoso e maravilhoso de todos é o AMOR.

Numerosos nomes são dados nas Escrituras ao Espírito Santo, em sua relação com a Trindade e aos ofícios que desempenha. É o Espírito de Deus, Ef 4.30; o Espírito de Cristo, Rm 8.9; o Espírito da Verdade, Jo 14.17; o outro Consolado, Jo 14.16; é o nosso Guia, Jo 16.13; o nosso Mestre, Jo 14.26; nosso Revelador, 1 Co 2.10; nossa Ajuda, Rm 8.26; quem nos faz recordar, Jo 14.26; e quem nos transforma, 2 Co 3.18.

“Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”. Tanto a água como o fogo constituem símbolos do Espírito Santo e manifestam o ministério de Cristo sob aspectos distintos. A água limpa ou purifica mediante a lavagem, enquanto que o fogo purifica ao queimar o impuro, separando o ouro da escória, Ml 3.2,3. Isaías não somente foi purificado mas inspirado para o ministério mediante a brasa tomada do altar e colocada em seus lábios. Is 6.6,7. O fogo transforma o ferro negro e frio, primeiramente em vermelho, depois em rosa e por último em branco reluzente. Da mesma maneira o Espírito Santo pode abrandar o coração do homem, e dar calor à sua natureza apagada, iluminando e inspirando-o, e pode fazê-lo, como a João, “a lâmpada que ardia e alumiava”, Jo 5.35. João brilhava porque ardia dentro de seu ser o fogo do Espírito Santo, como havia ardido nos cento e vinte no cenáculo. Que seria do Pentecostes sem o fogo do Espírito Santo?

Existe muita confusão com respeito à personalidade do Espírito Santo. Em parte se deve isso à falta de compreensão no que se refere à doutrina bíblica da Santa Trindade. O Espírito Santo é uma personalidade divina, e possui todos os atributos e poderes de tal. O Espírito Santo fala, At 1.6; realiza milagres, At 8.39; designa missionários, At 13.2; dirige concílios, At 15.28; encaminha obreiros, At 8.29; ordena e proíbe, At 16.6,7; estabelece pastores nas assembléias, At 20.28; testifica, Rm 8.26; revela-nos, At 20.22,23; nos ajuda na oração e intercede, Rm 8.26.