Deus

06/09/2012 11:49

 

1. A natureza de Deus.

Deus pode ser revelado e criado mas jamais assimilado na sua plenitude, tampouco pode ser analisado num tubo de ensaio de laboratório. O catecismo de Westminster tenta dimensionar Deus quando diz: “Deus é espírito, infinito, eterno e imutável em seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade”.

a) A Vida de Deus.

A vida de Deus é intimamente ligada ao próprio fato da existência de Deus, estudada nas duas divisões anteriores. Há coisas que existem e no entanto não tem vida, como é o caso do Pão de Açúcar, na cidade do Rio de Janeiro, os Alpes Suíços, a Cordilheira dos Andes, o Monte Evereste, ou as grandes rochas de Gibraltar. Mas Deus não só existe, Ele é vivo; Ele possui vida. Ou melhor, Deus é a própria vida. Dele, nele, por Ele e para Ele emana tudo e todos os seres criados, animados e inanimados. São abundantes os textos das Escrituras que falam da vida de Deus.

Vida é um termo que não pode ser plenamente definido. A ciência define-a como uma correspondência entre os órgãos e o ambiente. Porém, quanto a Deus, significa muito mais que isso, visto que Deus não tem ambiente vivencial como temos aqui. A vida de Deus é a atividade de pensamento, sentimento e vontade. É o movimento total e íntimo de ser que o capacita a formar propósitos sábios, santos e amorosos, e a executá-los.

b) A Espiritualidade de Deus.

Jesus disse que Deus é Espírito””

Deus é Espírito com personalidade plena. Ele pensa, sente e fala, podendo assim ter comunhão direta com suas criaturas feitas à sua imagem. Sendo espírito, Deus não está sujeito às limitações, às quais estão sujeitos os homens.

Sua pessoa não se compõe de nenhum elemento material, e, portanto, não está sujeito às condições da existência natural. Não pode Ele ser visto com os olhos naturais nem aprendido pelos sentidos humanos. Este ensino não implica em que Deus tenha uma existência indefinida e irreal, pois Jesus se referiu à forma de Deus. Deus é uma pessoa real, mas de natureza tão infinita que não se pode descrevê-lo plenamente.

Declara o apóstolo João que “Ninguém Jamais viu a Deus”. No entanto a Bíblia diz que Moisés e alguns dos anciões de Israel “viram a Deus”. Nisto não há nenhuma contradição. O que João quer dizer é que nenhum homem jamais viu a Deus como El é, na sua essência e plenitude. Mas sabemos que Deus pode manifestar-se em forma corpórea, sendo esta manifestação chamada “teofania”. No Antigo Testamento Deus apareceu em forma dum anjo, chamado o “Anjo da sua presença”; e o “Anjo da aliança”. Alguns eruditos dizem serem essas teofanias manifestações de Cristo no Antigo Testamento. Uma espécie de pré-encarnação de Jesus.

Deus é insondável e inescrutável. O patriarca Jó perguntou certa vez: “Porventura... penetrarás até à perfeição do Todo-Poderoso?” A nossa resposta só pode ser: “Não temos com que tirar, o poço é fundo “, usando a expressão da mulher samaritana

c) A Personalidade de Deus.

O ensino de que Deus é um ser pessoal, contrapõe-se ao ensino panteísta, segundo o qual Deus é todo e todo é deus; Deus é o universo e o universo é deus: que ele não existe independentemente daquilo que se alega ser sua criação.

Pode-se definir personalidade como existência dotada de autoconsciência e do poder de autodeterminação. Não se deve, portanto, confundir personalidade com corporalidade ou existência corporal material , composta de cabeça, tronco e membros, tratando-se do homem. Corretamente definida, a personalidade abrange as propriedades e qualidades coletivas que caracterizam a existência impessoal e da vida normal. A personalidade de um ser. Um dos nomes mais importantes pelos quais Deus se tem feito conhecer no seu relacionamento som o homem é o de “Jeová”. Foi por esse nome e suas várias combinações que Ele se revelou nos dias do Antigo Testamento. Tudo o que significa para nós o nome “Jesus”, significa, “Jeová” para o antigo Israel.

O Nome “Jeová”, combinado com determinadas palavras, foram o composto com determinadas palavras, formam o composto deste nome santo, como se segue:

 

·“Eu Sou”

·“Jeová-Jiré”- O Senhor proverá

·“Jeová-Nissi”- O Senhor é nossa bandeira

·“Jeová-Rafá”- O Senhor que sara

·“Jeová-Shalom”- O Senhor nossa paz

·“Jeová-Raa”- O Senhor é o meu Pastor

·“Jeová-Tsidiquênu”- O Senhor justiça nossa

·“Jeová-Saboat”- O Senhor dos Exércitos

·“Jeová-Samá”- O Senhor está presente

·“Jeová-Elion”- O Senhor Altíssimo

·“Jeová-Mikadiskim”- O Senhor que vos Santifica.

 

A personalidade de Deus pode ser provada não só pelo que Ele é, mas também pelo que Ele faz e pelos sentimentos que lhe são comuns. Deste modo, a personalidade de Deus pode ser vista:

1.Pelos pronomes pessoais empregados para distingui-lo

2.pelas características e propriedades de personalidade que lhe são atribuídas

3.Pelas relações que Ele mantém com o universo e com os homens.

2. A trindade Divina

A doutrina da Trindade consiste num dos grandes mistérios da fé cristã. Em suas confissões indaga Agostinho: “Quem compreende a Trindade Onipotente? E quem não fala dela ainda que não compreenda< É rara a pessoa que ao falar da Santíssima Trindade saiba o que diz. Contendem e discutem. E contudo ninguém contempla esta visão sem ter paz interior”.

As Escrituras ensinam que Deus é um, e que além dele não existe outro Deus. Contudo, a unidade divina é uma unidade composta de três pessoas distintas e divinas, que são: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Não se trata de três deuses independentemente. São três pessoas, mas um só Deus.

Os três cooperam juntos, unidos e num só mesmo propósito, de maneira que no pleno sentido da palavra, são um. O Pai cria, o Filho redime, e o Espírito santifica: e, no entanto, em cada uma dessas operações os três estão presentes.

a) A trindade na Bíblia

Tanto no Antigo como no Novo Testamento, títulos divinos são atribuídos, distintamente, às três pessoas da Trindade. Deste modo a Bíblia diz que o Pai é Deus, que o Filho é Deus e que o Espírito também é Deus.

Cada pessoa da Trindade é descrita na Bíblia, como sendo:

 


¤ Onipresente:

O Pai: Jr 23.24

O Filho: Ef 1.20-23

O Espírito Santo - Sl 139.9

 

¤ Onipotente:

O Pai: Gn 17.1

O Filho : Ap 1.8

O Espírito Santo: Rm 15.19

¤ Onisciente:

O Pai: At 15.18

O Filho: Jo 21.17

O Espírito Santo: 1 Co 2.10

 

¤ Criador:

O Pai: Gn 1.1

O Filho: Jo 1.3

O Espírito Santo: Jó 33.4


 

¤ Eterno:

O Pai: Rm 16.16

 O Filho: Ap 22.13

O Espírito Santo: Hb 9.14

 

¤ Santo:

O Pai: Ap 4.8

O Filho: At 3.16

O Espírito Santo: 1 Jo 2.20

 

¤ Santificador:

O Pai: Jo 10.36

O Filho: Hb 2.11

O Espírito Santo: 1 Pe 1.2

 

¤ Fonte de Vida Eterna:

O Pai: Rm 6.23

O Filho: Jo 10.28

O Espírito Santo: Gl 6.8


 


¤ Ressuscitador dos mortos:

O Pai: 1 Co 6.14

O Filho: Jo 2.19

O Espírito Santo: 1 Pe 3.18

 

¤ Inspirador dos profetas:

O Pai: Hb 1.1

O Filho: 2 Co 13.3

O Espírito Santo: Mc 13.11

 

¤ Supridor de ministros à Igreja:

O Pai: Jr 3.15

O Filho: Ef 4.11

O Espírito Santo: At 20.28

 

¤ Salvador:

O Pai 2 Ts 2.13

O Filho: Tt 3.4-6

O Espírito Santo: 1 Pe 1.2

 


Na “confissão de Fé Presbiteriana”, encontra-se o que poderia ser tomado como consenso da fé cristã quanto à Trindade Divina: “Na unidade da divindade há três pessoas de uma mesma substância, poder e eternidade - Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o Espírito Santo. O Pai não é de ninguém; o Filho é eternamente gerado do Pai; o Espírito Santo é eternamente procedente do Filho”.

 

b) Deus Pai:

Nas Escrituras o nome “Pai” nem sempre designa Deus num mesmo sentido. Por exemplo, a Bíblia o apresenta como:

a) Pai de toda a Criação

b) Pai de Israel

c) Pai dos crentes

d) Pai de Jesus Cristo

Do universo Deus é Pai por criação, de Israel Ele é Pai por eleição; do crente Ele é Pai por adoção; e de Cristo Ele é Pai por geração.

c) Deus Filho.

Das três pessoas da Trindade, a única revelada corporalmente aos homens foi a segunda, o Senhor Jesus Cristo.

Muitas afirmações feitas a respeito do Senhor Jeová no Antigo Testamento são interpretadas no Novo Testamento referindo-se profeticamente a Jesus Cristo. Comparando algumas citações do Antigo Testamento com outras do Novo Testamento, haveremos de notar a identidade de Jesus como Deus. Veja isto comparando as seguintes passagens das escrituras:

 

¤ Isaías 40.3-4.................................Lucas 1.68,69 e 79

¤ Êxodo 3.14...................................João 8.56-58

¤ Jeremias 17.10.............................Apocalipse 2.26

¤ Isaías 60.19..................................Lucas 2.32

¤ Isaías 6.10....................................João 12.37-41

¤ Isaías 8.12,13...............................1 Pedro 3.14 e 15

¤ Números 21.6,7..............................1 Coríntios 10.9

¤ Salmo 23.1....................................João 10.11

¤ Ezequiel 34.11,12.........................Lucas 19.10

¤ Deuteronômio 6.16.......................Mateus 4.10

d) Deus Espírito Santo

O Pai e o Filho dão testemunho de si mesmo; o Espírito Santo porém, jamais dá testemunho de si próprio; contudo, a Bíblia o apresenta como Ser dotado de personalidade. Isto é, o Espírito Santo, possui em si elementos de existência pessoal, em contraste com a existência impessoal.

A Bíblia mostra a personalidade do Espírito Santo quando diz que Ele cria e dá vida, nomeia e comissiona ministros, dirige onde os ministros devem pregar, instrui o que os ministros devem pregar, falou através dos profetas, contende com os pecadores, reprova, consola, nos ajuda em nossas fraquezas, ensina, guia, santifica, testifica de Cristo, tem poder próprio, sonda tudo, age segundo a sua vontade, pode ser entristecido e envergonhado, pode sofrer resistência.

O nome do Espírito Santo aparece associado aos nomes do Pai e do Filho, na comissão apostólica, na operação dos dons espirituais, na Igreja, e na benção apostólica.