Teologia Sistemática 7

06/09/2012 11:59

 

1.         Os aspectos da Salvação

a.      A Salvação no sentido factual: A salvação como um fato em si; no sentido objetivo: A salvação tem um lado objetivo (o divino), e o subjetivo (o humano). É Deus como o doador da salvação, e o homem como recebedor. A salvação no sentido objetivo tem três aspectos. Não tem tempos. Noutras palavras: esses aspectos são todos simultâneos: (1) O aspecto da justificação que nos declara justos. Tem a ver a nossa posição diante de Deus. (2) O aspecto da regeneração que nos declara filhos. Tem a ver com a nossa condição espiritual. (3) O Aspecto da santificação que nos declara santos. ISTO É, DIANTE DE DEUS, AO MESMO TEMPO EM QUE UMA PESSOA É JUSTIFICADA, É TAMBÉM REGENERADA, E SANTIFICADA. Justificação. É a mudança de posição externa e legal diante de Deus: de condenado para justificado. Pela justificação passamos a pertencer aos justos. Regeneração. É a mudança de condição: de servo do pecado, para filho de Deus. A regeneração é tão séria diante de Deus, que a Bíblia chama-a de “batismo em Jesus”, 1 Co 12.13; Gl 3.27; Rm 6.3. É um ato inteiro, dentro do indivíduo. É um termo ligado à família: Gerar. É o novo nascimento (Jo 3.5). Mediante a regeneração somos declarados filhos de Deus. O lado externo da regeneração: a conversão (isto é, aquilo que o mundo vê.) É a regeneração que causa a conversão. Regeneração  é causa. Conversão é efeito. O QUE CAUSA A REGENERAÇÃO É A COMUNICAÇÃO DA VIDA ETERNA; NÃO É A JUSTIFICAÇÃO. Porque: justificação é imputada, e regeneração é comunicada. Compare os atos divinos de Gn 2.7 e Jo 20.22 e Jo 15.5. Santificação. É a mudança de caráter (mudança subjetiva), e a mudança de serviço (mudança objetiva). “Em Cristo”: posicional - Jo 15.4 versus Jo 17.26. A santificação ocorre no pecador arrependido e também fora dele. Diante de Deus: santidade, um estado (Lc 1.75; Cl 2.10; Hb 10.10,14). Diante do mundo: justiça (Lc 1.75). Isto é, santidade prática, um processo.

b.      A Salvação no Sentido Experimental: É a salvação na experiência humana; subjetiva. A salvação tem três tempos (não aspectos): passado, presente e futuro. No passado: Justificação (1 Co 6.11). Justificação é o que Deus FEZ em nós. É a salvação da pena do pecado. No presente: A santificação do poder do pecado. É aquilo que Deus ESTÁ FAZENDO em nós. Uma frutinha é perfeita, mas não é madura (2 Co 7.1; 1 Ts 5.23). No futuro: glorificação. É o que Deus FARÁ conosco. Será a salvação da presença do pecado (1 Jo 3.2; Rm 9.23). Os propósitos divinos são Testemunho, Mt 5.14. Louvor, os Salmos. Vitória, 1 Co 2.14. Recompensa, 1 Co 3.14. Notamos suas evidências através do testemunho do Espírito Santo em nosso interior, Rm 8.16. O testemunho da Palavra de Deus, At 16.31. O testemunho da transformação da nossa vida, 2 Co 5.17. O testemunho da nossa consciência, 1 Jo 3.19. O testemunho dos frutos produzidos, Mt 3.8. O testemunho da aversão ao pecado, 1 Jo 3.9. O testemunho do cumprimento da doutrina, 2 Jo v.9. O testemunho do amor fraternal, comunhão fraterna Jo 13.35. O testemunho da vitória sobre o mundo, 1 Jo 5.4.

c.       A Salvação Final: É a salvação plena: Rm 8.23; 13.11; 1 Pe 1.5.

2.         Introdução à Doutrina da Salvação

a.      1 Tm 2.4 - Somos salvos mesmo?

b.      Lc 9.23 - Estamos de fato seguindo a Cristo?

c.       Lc 14.33 - Somos de fato discípulos de Cristo?

2.1          A Definição de Salvação:

Seu princípio é uma milagrosa transformação espiritual, operada na alma e na vida da pessoa que, pela fé, recebe a Jesus Cristo como seu Salvador pessoal. (Ef 2.8,9; 2 Co 5.17; Jo 1.12; 3.5)

Salvação não significa apenas livramento da condenação do inferno. Ela abarca todos os atos e processos redentores e transformadores da parte de Deus, para com o homem e o mundo, através de Jesus, nesta vida e na outra.

Pessoalmente, ela abrange: A Regeneração do crente, espiritualmente. A redenção do corpo do crente. Cf: 1 Co 15.44. A Glorificação do crente integral.

2.2          Os três passos para o pecador obter a salvação

O homem reconhecer que é pecador (Rm 3.23). O Homem confiar em Jesus como seu Salvador (At 16.31). O Homem confessar que Jesus é o seu Salvador pessoal. (Rm 10.10b). A Obediência do pecador a estes três passos resultará na Salvação. Isso é infalível, operando a Palavra e o Espírito Santo.

O Pleno conceito de Salvação por parte do crente. (Cf Hb 2.3 “tão grande.”). Se todos os crentes tivessem uma plena visão da Salvação que receberam, isto é, suas riquezas, suas bênçãos, sua eternidade infinita, seu alcance, seu escopo, sua sublimidade teríamos tento regozijo, tanta motivação, tanto entusiasmo, tanta convicção, que não haveria um só salvo descontente, descuidado, negligente, e embaraçado com as coisas deste mundo. Teríamos uma tão profunda compreensão do que é o céu, e por isso, teríamos tanto desejo de ir para lá, que o diabo não teria um só aliado aqui, um só fã, um só torcedor, um só admirador de suas coisas. Mas...

2.3          A Visão atrofiada da Salvação

Isto explica o fato porque inúmeros crentes levam a vida comprometida com o mundo, descuidada, negligente, sem amor, sem dedicação, sem ideal, sem busca constante da face do Senhor.

Os passos normais de uma alma salva devem ser: Regeneração, Plenitude do Espírito, Maturidade Espiritual, Trabalho do Senhor

2.4          A necessidade do estudo da Doutrina da Salvação

A experiência da Salvação é basilar, fundamental, É o alicerce da vida cristã.

O batismo com o Espírito Santo, os dons espirituais, a chamada para o Ministério, etc., ocorrem, porque primeiramente somos salvos

2.5          A importância da doutrina da Salvação, na Evangelização.

Emocionalismo. Sentimentalismo. Conversão verdadeira. Cura divina. Batismo com o Espírito Santo. Libertação e Demonismo, etc. Ef 6.17. O capacete da Salvação e a Espada do Espírito. O capacete protegia a cabeça (cf. O conhecimento da salvação na mente; e Lc 1.77 - “conhecimento da salvação”. Cf Ap 13.1 - as sete cabeças da Besta - plenitude de astúcia. Cf a mensagem de 1 Jo - “sabemos”. Ora, sabemos com a mente.). Cf Hb 8.10 e 10.16 - mente e coração. A Espada do Espírito na mão, apara a batalha. Precisamos estar de posse dessas duas coisas para empreendermos com êxito a batalha contra o mal.

2.6          O valor da sã doutrina (Tt 2.1).

A corrupção e falsificação da sã doutrina por. Seitas falsas. Falsificadores da Palavra de Deus, inclusive doutores (2 Tm 4.3; 2 Pe 2.1)

2.7          Em que consiste a salvação para ti?

a.      No passado: apenas livramento da condenação do pecado?

b.      No presente: apenas livramento do poder do pecado?

c.       No futuro: apenas livramento da presença do pecado?

A salvação nas dispensações futuras (Ef 2.7; Jo 1.29).

3.         Termos Bíblicos para a Salvação

 Rm 1.16 “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego.”

Deus nos oferece livremente a vida eterna em Jesus Cristo, mas, às vezes, nos é difícil compreender o processo exato usado para torná-la disponível a nós. Por isso, Deus apresenta na Bíblia vários aspectos da salvação, cada um com sua ênfase exclusiva. Este estudo examina três desses aspectos: a salvação, a redenção e a justificação.

3.1          Salvação

Salvação (gr. soteria) significa “livramento”, “chegar à meta final com segurança”, “proteger de dano”. Já no AT, Deus revelou-se como o Salvador do seu povo (Êx 15.2; Sl 27.1; 88.1; ver Dt 26.8; Sl 61.2; Is 25.6; 53.5). A salvação é descrita na Bíblia como “o caminho”, ou a estrada através da vida, para a comunhão eterna com Deus no céu (Mt 7.14; Mc 12.14; Jo 14.6; At 16.17; 2Pe 2.21; cf. At 9.2; 22.4; Hb 10.20).

Esta estrada deve ser percorrida até o fim. A salvação pode ser descrita como um caminho com dois lados e três etapas: (1) O único caminho da salvação. Cristo é o único caminho ao Pai (Jo 14.6; At 4.12). A salvação nos é concedida mediante a graça de Deus, manifesta em Cristo Jesus (3.24). A salvação é baseada na morte de Cristo (3.25; 5.8), sua ressurreição (5.10) e sua contínua intercessão pelos salvos (Hb 7.25). (2) Os dois lados da salvação. A salvação é recebida de graça, mediante a fé em Cristo (3.22,24,25,28). Isto é, ela resulta da graça de Deus (Jo 1.16) e da resposta humana da fé (At 16.31; Rm 1.17; Ef 1.15; 2.8; VER O ESTUDO: FÉ E GRAÇA). (3) As três etapas da salvação. (a) A etapa passada da salvação inclui a experiência pessoal mediante a qual nós, como crentes, recebemos o perdão dos pecados (At 10.43; Rm 4.6-8) e passamos da morte espiritual para a vida espiritual (1 Jo 3.14; VER O ESTUDO: A REGENERAÇÃO); do poder do pecado para o poder do Senhor (6.17-23), do domínio de Satanás para o domínio de Deus (At 26.18). A salvação nos leva a um novo relacionamento pessoal com Deus (Jo 1.12) e nos livra da condenação do pecado (1.16; 6.23; 1Co 1.18). (b) A etapa presente da salvação nos livra do hábito e do domínio do pecado, e nos enche do Espírito Santo. Ela abrange:  (i) o privilégio de um relacionamento pessoal com Deus como nosso Pai e com Jesus como nosso Senhor e Salvador (Mt 6.9; Jo 14.18-23; ver Gl 4.6); (ii) a conclamação para nos considerarmos mortos para o pecado (6.1-14) e para nos submetermos à direção do Espírito Santo (8.1-16) e à Palavra de Deus (Jo 8.31; 14.21; 2Tm 3.15,16); (iii) o convite para sermos cheios do Espírito Santo e a ordem de continuarmos cheios (ver At 2.33-39; Ef 5.18; VER O ESTUDO: O BATISMO NO ESPÍRITO SANTO); (iv) a exigência para nos separarmos do pecado (6.1-14) e da presente geração perversa (At 2.40; 2Co 6.17); e (v) a chamada para travar uma batalha constante em prol do reino de Deus contra Satanás e suas hostes demoníacas (2Co 10.4,5; Ef 6.11,16; 1Pe 5.8). (c) A etapa futura da salvação (13.11,12; 1Ts 5.8,9; 1Pe 1.5) abrange: (i) nosso livramento da ira vindoura de Deus (5.9; 1Co 3.15; 5.5; 1Ts 1.10; 5.9); (ii) nossa participação da glória divina (Rm 8.29; 2Ts 2.13,14) e nosso recebimento de um corpo ressurreto, transformado (1Co 15.49-52); e (iii) os galardões que receberemos como vencedores fiéis (ver Ap 2.7). Essa etapa futura da salvação é o alvo que todos os cristãos se esforçam para alcançar (1Co 9.24-27; Fp 3.8-14). Toda advertência, disciplina e castigo do tempo presente da vida do crente têm como propósito preveni-lo a não perder essa salvação futura (1Co 5.1-13; 9.24-27; Fp 2.12,16; 2Pe 1.5-11; ver Hb 12.1).

3.2          Redenção

O significado original de “redenção” (gr. apolutrosis) é resgatar mediante o pagamento de um preço. A expressão denota o meio pelo qual a salvação é obtida, a saber: pagamento de um resgate. A doutrina da redenção pode ser resumida da seguinte forma: (1) O estado do pecado, do qual precisamos ser redimidos. O NT mostra que o ser humano está alienado de Deus (3.10-18), sob o domínio de Satanás (At 10.38; 26.18), escravizado pelo pecado (6.6; 7.14) e necessitando de livramento da culpa, da condenação e do poder do pecado (At 26.18; Rm 1.18; 6.1-18, 23; Ef 5.8; Cl 1.13; 1Pe 2.9). (2) O preço pago para nos libertar dessa escravidão: Cristo pagou esse resgate ao derramar o seu sangue e dar sua vida (Mt 20.28; Mc 10.45; 1Co 6.20; Ef 1.7; Tt 2.14; Hb 9.12; 1Pe 1.18,19). (3) O estado presente dos redimidos: Os crentes redimidos por Cristo estão agora livres do domínio de Satanás e da culpa e do poder do pecado (At 26.18; Rm 6.7,12,14,18; Cl 1.13). Essa libertação do pecado, no entanto, não nos deixa livres para fazer o que queremos, pois somos propriedade de Deus. A nossa libertação do pecado por Deus nos torna em servos voluntários seus (At 26.18; Rm 6.18-22; 1Co 6.19,20; 7.22,23). (4) A doutrina de redenção no NT já estava prefigurada nos casos de redenção registrados no AT. O grande evento redentor do AT foi o Ex de Israel (ver Êx 6.7; 12.26). Também, no sistema sacrificial levítico, o sangue de animais era o preço pago para expiar o pecado (ver Lv 9.8; estudo O DIA DA EXPIAÇÃO).

3.3          Justificação

A palavra “justificar” (gr. dikaioo) significa ser “justo (ou reto) diante de Deus” (2.13), tornado justo (5.18,19), “estabelecer como certo” ou “endireitar”. Denota estar num relacionamento certo com Deus, mais do que receber uma mera declaração judicial ou legal. Deus perdoa o pecador arrependido, a quem Ele tinha declarado culpado segundo a sua lei e condenado à morte eterna, restaura-o ao favor divino e o coloca em relacionamento correto (comunhão) com Ele mesmo e com a sua vontade. Ao apóstolo Paulo foram reveladas várias verdades a respeito da justificação e como ela é efetuada: (1) A justificação diante de Deus é uma dádiva (3.24; Ef 2.8). Ninguém pode justificar-se diante de Deus guardando toda a lei ou fazendo boas obras (4.2-6; Ef 2.8,9), “porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (3.23). (2) A justificação diante de Deus se alcança mediante a “redenção que há em Cristo Jesus” (3.24). Ninguém é justificado sem que antes seja redimido por Cristo, do pecado e do seu poder. (3) A justificação diante de Deus provém da “sua graça”, sendo obtida mediante a fé em Jesus Cristo como Senhor e Salvador (3.22,24; cf. 4.3,5). (4) A justificação diante de Deus está relacionada ao perdão dos nossos pecados (Rm 4.7). Os pecadores são declarados culpados diante de Deus (3.9-18,23), mas por causa da morte expiatória de Cristo e da sua ressurreição são perdoados (ver 3.25; 4.25; 5.6-10). (5) Uma vez justificados diante de Deus, mediante a fé em Cristo, estamos crucificados com Ele, o qual passa a habitar em nós (Gl 2.16-21). Através dessa experiência, nos tornamos de fato justos e começamos a viver para Deus (2.19-21). Essa obra transformadora de Cristo em nós, mediante o Espírito (cf. 2Ts 2.13; 1Pe 1.2), não se pode separar da sua obra redentora a nosso favor. A obra de Cristo e a do Espírito são de mútua dependência.

4.         Um Crente verdadeiro não pode perder a Salvação

Primeiramente, temos que entender que toda Bíblia gira em torno da Pessoa do Senhor Jesus Cristo. Assim sendo, qualquer doutrina que não estiver conectada a ele é deficiente, carente de verdade, não passando de um mero artigo de fé humana desprovido de vitalidade. Portanto, devemos relacionar toda doutrina da Palavra de Deus à Pessoa do Senhor Jesus - inclusive a Doutrina da Salvação.

Caso nós nos considerarmos ao centro da doutrina da salvação, estaremos envolvidos com nossas limitações, incertezas e derrotas. Mas, se Cristo for a fonte, o objeto e o centro da nossa salvação, experimentaremos segurança, paz e alegria. A Palavra demonstra, claramente, que nossa salvação depende d’Ele e que a nossa parte se reduz em apenas crer nesta verdade.

4.1          A SEGURANÇA DA SALVAÇÃO

1Jo 5.13 “Estas coisas vos escrevi, para que saibais que tendes a vida eterna e para que creiais no nome do Filho de Deus”.

Todo cristão deseja ter a certeza da salvação, ou seja: a certeza de que, quando Cristo voltar ou a morte chegar, esse cristão irá estar com o Senhor, no céu (Fp 1.23; 2Co 5.8). O propósito de Jo ao escrever esta primeira epístola é que o povo de Deus tenha esta certeza (5.13). Note que Jo não declara em parte alguma da carta que uma experiência de conversão vivida apenas no passado proporciona certeza ou garantia da salvação hoje. Supor que possuímos a vida eterna, tendo por base única uma experiência passada, ou uma fé morta, é um erro grave. Esta epístola expõe nove maneiras de sabermos que estamos salvos como crentes em Jesus Cristo.

a.      Temos a certeza da vida eterna quando cremos “no nome do Filho de Deus” (5.13; cf. 4.15; 5.1, 5). Não há vida eterna, nem certeza da salvação, sem uma fé inabalável em Jesus Cristo; fé esta que o confessa como o Filho de Deus, enviado como Senhor e Salvador nosso.

b.      Temos a certeza da vida eterna quando temos Cristo como Senhor da nossa vida e procuramos sinceramente guardar os seus mandamentos. “E nisto sabemos que o conhecemos: se guardarmos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu conheço-o e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade. Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele” (2.3-5; ver também 3.24; 5.2; Jo 8.31, 51; 14.23; Hb 5.9).

c.       Temos a certeza da vida eterna quando amamos o Pai e o Filho, e não o mundo (2.15; cf. 5.4).

d.      Temos a certeza da vida eterna quando habitual e continuamente praticamos a justiça, e não o pecado (2.29). Por outro lado, quem vive na prática do pecado é do diabo (3.7-10; ver 3.9).

e.      Temos a certeza da vida eterna quando amamos os irmãos (3.14; ver também 2.9-11; 4.7, 12, 20; 5.1; Jo 13.34,35).

f.        Temos a certeza da vida eterna quando temos consciência da habitação do Espírito Santo em nós. “E nisto conhecemos que ele está em nós: pelo Espírito que nos tem dado” (3.24). Ver também 4.13: “Nisto conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito”.

g.      Temos a certeza da vida eterna quando nos esforçamos para seguir o exemplo de Jesus e viver como ele viveu (2.6; cf. Jo 13.15).

h.      Temos a vida eterna quando cremos, aceitamos e permanecemos na “Palavra da vida”, i.e., o Cristo vivo (1.1), e de igual modo procedemos com a mensagem de Cristo e dos apóstolos, conforme o NT (2.24; cf. 1.1-5; 4.6).

i.        Temos a certeza da vida eterna quando temos um intenso anelo e uma inabalável esperança pela volta de Jesus Cristo, para nos levar para si mesmo. “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos. E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro” (3.2,3; cf. Jo 14.1-3).

4.2          Textos bíblicos para se ter em mente:

“Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles”. (Hb 7.25).

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz; Eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; e jamais perecerão, e ninguém poderá arrebatá-las da minha mão. Meu Pai, que as deu a mim, é maior do que todos; ninguém pode arrebatá-las da mão d’Ele”. (Jo 10.27-29).

Note, principalmente que:

a.                  É Cristo quem conhece as Suas ovelhas e lhes dá a vida eterna

b.                  Elas jamais perecerão - Esta frase pode ser traduzida literalmente do grego como “de maneira alguma perecerão”; ou “ainda não se perdem eternamente”.

“Os passos do homem bom são confirmados pelo Senhor, e ele se deleita no seu caminho. Ainda que caia, não ficará prostrado, pois o Senhor o sustém com a sua mão”. (Sl 37.23,24).

“Pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus”. (Ef 2.5-8).

Este versículo não faz qualquer alusão a necessidade de perseverança ou esforço pessoal da nossa parte para a manutenção da salvação que recebemos. Ao contrário, ensina que nossa salvação, de maneira nenhuma depende de nós; é obra de Deus do começo ao fim. Não é chamada nas Escrituras de “a Salvação de Deus?” (Lc 3.6; At 28.28).

“Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”. (Rm 8.1)

O crente está “em Cristo Jesus”. Esta é a sua posição - uma posição tão segura quanto Cristo. Para roubar-nos nossa salvação, alguém teria que, primeiramente, destituir a pessoa de Cristo no céu!

“... quem não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus”. (Jo 3.3-7)

Esta passagem, tão conhecida, não diz que nós devemos nascer de novo várias vezes. A Bíblia jamais sugeriu a idéia de alguém que nasceu em Cristo vir a morrer e ter que nascer de novo uma segunda vez de modo rotineiro e repetitivo. Isto é uma dedução ilógica e não bíblica.

“Todo aquele que crê no Filho tem a vida eterna, mas todo aquele que rejeita o Filho não terá a vida, pois sobre ele permanece a ira de Deus”. (Jo 3.36)

Não existe nenhuma condição para se receber a vida eterna, além da fé no Filho de Deus. Observe que esta vida é eterna - a vida comunicada ao crente perdurará por toda a eternidade. Alguns tentam fazer-nos crer que se desobedecermos (demasiadamente) perderemos esta vida eterna. Este versículo, definitivamente, não diz isso! Não o leiamos como se dissesse: “O que desobedece perderá a vida eterna”.

“E aos que justificou, a esses também glorificou”. (Rm 8.16-30)

O que poderíamos dizer desta bendita passagem? Como descrever um resumo tão claro da obra de Deus em nossas vidas? Somos Seus filhos (v 16-21); Seus santos (v 27) e Seus chamados (v 28)! Note que o crente já é visto como glorificado. O verbo está em tempo passado, o fato já foi concluído.

Veja outros versículos: Jo 1.12-13; 5.24; At 10.43; 16.31; 2 Co 5.17-18; Hb 10.11-14.

Um estudo detalhado destas passagens estabelecerá que somos salvos pela graça e não pelos nossos méritos. Não existe sinal de que nossa salvação dependa de algum esforço pessoal e que possa ser perdida. Tal doutrina ataca o fundamento essencial da obra de Cristo e produz amargura e temor no coração dos crentes.

4.3          A Outra Face da Questão

Por outro lado, é verdade que aqueles que são salvos devem vivem como santos. Jamais alguém use a nossa segurança como justificativa para a desobediência ou rebeldia. A grande característica do crente verdadeiro é o seu desejo real de obedecer a Palavra de Deus e o seu ódio ao pecado! (2 Co 5.7; Gl 5.6; Jo 15.14; Rm 6; Hb 10.26; 12.1-4; 1 Jo 3.9; 5.18)

Faz-se extremamente importante distinguir-se dois tipos de crentes:

Aqueles que fizeram uma “profissão de fé”, mas que jamais receberam a vida

Aqueles que verdadeiramente nasceram de novo por meio da fé em Cristo.

Aqueles que demonstram claramente que abandonaram a fé e retornaram ao pecado demonstram que nunca conheceram o Salvador e nem a Salvação os conhece. (2 Pe 2; 1 Jo 2.19)

A Bíblia faz distinção clara entre um crente verdadeiro que vem a “cair” temporariamente em sua vida espiritual, e o apóstata que nunca chegou a receber a vida eterna. Por exemplo, Pedro negou o seu Mestre por três vezes, mas foi, posteriormente restaurado. Contraste-o com Judas que seguiu ao Senhor por três anos, tomando parte dos milagres, etc. Ao tornar-se traidor demonstrou que nunca tivera um relacionamento vivo com o Senhor.

4.4          Alguns versículos apresentados para combater esta doutrina

 

a.      Mateus 24.13 - Este capítulo não se refere ao crente e sim ao remanescente judeu nos últimos dias. Seu cumprimento se dará muito depois do arrebatamento da igreja. O verso 13 que diz “Aquele que perseverar até o fim será salvo” refere-se aos eleitos judeus dos versículos 22-31. Este versículo não se refere aos crentes desta nossa dispensação. Porém caso queiramos aplicá-lo aos crentes, isto não significa que o crente verdadeiro pode perder a Salvação, pois apenas o crente verdadeiro poderá perseverar até o fim, pois a perseverança provém do Espírito Santo que habita nele.

b.      Coríntios 15.2 - Como em Cl 1.23; Hb 3.12-14, este versículo tem a conjunção “se”. Na Bíblia, o “se” nunca é aplicado quando o propósito de Deus está em foco. Por exemplo, Ef 1.1-13 não ensina que Deus nos escolheu em Cristo desde a fundação do mundo “se” fomos fiéis até o fim. Deus usa a condicional “se” quando Ele coloca a nossa profissão sob teste. Tais “ses” não causam temor no crente, mas desafiam, unicamente, àqueles que rendem serviço para Deus da “boca para fora”.

c.       Assim sendo, o Apóstolo Paulo usa esta palavra para com os coríntios, colossenses e hebreus devido a afastamento da verdade por parte deles. Os coríntios afastaram-se na sua vida cotidiana, e os colossenses e hebreus corriam o risco de se afastarem da sã doutrina. Eram eles filhos de Deus ou apenas imitadores? Certamente havia os dois grupos. Assim, estes “ses” colocam a profissão em fé e não sugere a perda da salvação por parte dos crentes verdadeiros.

d.      É obvio que uma pessoa possuidora de vida divina e cuja posição é “em Cristo” guardará fielmente a Palavra do Evangelho e o abandonar das verdades bíblicas apenas indica que nunca possuiu a vida de Deus.

e.      Coríntios 13.5 - Os coríntios são fruto do serviço de Paulo, contudo alguns deles duvidavam do seu ministério e buscavam provas para o seu apostolado. Assim ele os exorta a verificar suas próprias profissões de fé e deseja que eles não sejam reprovados.

f.        Gálatas 5.4 - Os gálatas haviam retornado à Lei como norma de vida. Eles misturaram graça e Lei, Judaísmo e Cristianismo, por isso foram exortados severamente. Haviam dito que receberam a salvação e o Espírito Santo na base da fé e graça (Gl 3.5), mas, depois, haviam retornado aos rudimentos da Lei (4.9) e, daquele modo, à escravidão espiritual.

g.      Expressando o seu temor, Paulo os adverte que, retornando à Lei como norma de vida, estavam desprezando o princípio da graça no qual o Evangelho coloca aqueles que crêem. Buscando a legalidade, eles ficavam destituídos de todos os ganhos advindos de Cristo como se tivessem separado dele (Gl 5.4). Como “decaídos da graça” privavam-se a si mesmo da alegria e da liberdade espiritual que a graça traz ao crente. Caso persistissem naquela direção, expor-se-iam como meros hipócritas que nunca haviam abraçado o Evangelho da graça de Deus.

h.      Pe 2.1 - Esta passagem não fala sobre conversão ou regeneração, ao contrário se refere a falsos mestres que não possuem vida.

i.        Em que sentido então o Senhor os resgatou? Devemos saber que Deus possui reivindicação dupla sobre os homens - Como Criador e como Redentor. Embora Ele sempre os detenha como Criador, estes falsos mestres nunca reconheceram os seus direitos adquiridos como Redentor, e, conseqüentemente, não se submetem à sua autoridade. Recusando-se a dar valor ao grande preço que Ele pagou por eles, não aceitam Sua obra concluída na cruz e, por sua perversidade moral e doutrinária, negam Seus direitos como Redentor.

j.        Pe 2.20-22 - Aqui não se refere às ovelhas de Cristo. Ao contrário, se refere aos que aceitam a Cristo com a cabeça e não com o coração (Rm 2.18-24). Não possuindo a vida de Cristo, eles voltam à imundície, sendo o seu estado pior que o primeiro. Tais pessoas nunca foram ovelhas, não passando de cães reformados e porcas lavadas, e mais cedo ou mais tarde retornam à sua natureza. 1 Jo 2.19 descreve uma classe similar de pessoas: “Eles saíram de nosso meio, mas nunca foram dos nossos”.

k.       Pe 3.17 - Esta exortação é dirigida aos crentes verdadeiros para que permaneçam na verdade e não permitam que sejam arrastados pelos erros dos insubordinados”. Um cristão pode ser influenciado pelo erro e chegar, até mesmo, temporariamente, adotá-lo, abandonando a verdade. Ele pode durante um certo tempo  decair de sua posição de firmeza aqui na terra; mas sua posição segura em Cristo, nos céus, não depende de sua própria firmeza, mas sim da grande salvação de Deus.

4.5          Mas e se alguém pecar?

Temos visto que o cair é do homem e o levantar é de Deus, assim toda vêz que nós pecarmos temos em mente que possuímos um advogado a nos defender e que o Sangue de Cristo nos purifica de todo o pecado (1 Jo 1.7; 2.1).

Isto nos remete aos dois instrumentos de purificação do velho testamento

O primeiro na figura do altar de bronze destinado ao pecador e que nos fala do terrível juízo de Deus sobre o pecado e todos quanto os pratica

O segundo na figura da pia de bronze que era destinado aos sacerdotes que se contaminavam com a poeira do deserto e que necessitavam de ser limpos antes de ministrarem o ofício do Senhor.

Aí vemos que nós que já passamos pelo altar de bronze (na cruz de Cristo quando na nossa conversão) e fomos feitos sacerdotes para a casa do Senhor muitas vezes somos contaminados pelo mundo ficando com as nossas vestes manchadas, mas nós recorremos a água da vida, a Palavra de Deus, para sermos limpos e assim obtermos permissão para entrarmos no Santuário de Deus, e termos comunhão com o Nosso Senhor Jesus.

5.         Conclusão

Querido amigo cristão tens, em teu coração, aborrecido o pecado? Tens, apesar de muitas vezes sermos falhos (Rm 7.14-25), procurado afastar-se do mal? Então não permita que venham a por em dúvida e risco a salvação que tens recebido em Cristo. Embora seja verdadeiro que Cristo possa perder temporariamente a alegria da salvação e até mesmo afastar-se do seu Senhor por algum tempo, nenhuma ovelha de Cristo deixará de ser o que realmente é: Uma ovelha de Cristo (leia todo o capítulo 15 de Lucas e veja o amor e a dedicação de Cristo em buscar o que é seu).

Que estas simples reflexões possam fortalecer a sua convicção no tocante à salvação oferecida por Deus e que o amigo possa continuar esperando e trabalhando para o seu Senhor com toda paz e confiança.